lixo-limpo

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eu lembro deu pequena ouvindo histórias de gente que montava uma casa inteira só com as coisas que achava no lixo nos estados unidos. ficava indignada como alguém poderia jogar uma geladeira fora, uma televisão funcionando, um sofá praticamente novo.. amava imaginar, passava horas pensando como eu iria carregar as coisas pra casa, inventando o que teria achado..

meu pai criou os três filhos parando o carro em tudoqueéesquina pra gente ajudar a achar pedaço de madeira, som velho que ele juntava os pedaços de um com de outros e, como mágica, domingo de tarde, tava lá, o som tocando. claro que eu aprendi com ele e quem anda do meu lado sabe: vitrine que meus olhos prestam atenção mesmo são as latas de lixo, as beiradas de árvore. já achei tanta coisa, já achei tanta coisa que eu precisava, que sem brincadeira, é de olhar pro universo e abrir um sorriso.

nova york então é um paraíso. já fiz até um gif brincando com as coisas que achava nas ruas aqui. outro dia, fui dormir pensando: poxa, preciso arrumar um carrinho pra amarrar na bicicleta e conseguir carregar as coisas maiores. eu JU-RO. não deu uma semana e eu achei o danado do carrinho.

olha, eu te falo: é mais gostoso do que comprar. porque as coisas que aparecem são coisas que a gente não imaginava. então a surpresa tem um sabor. não é você que escolhe, você é que foi escolhido <3. e você fica ali, de frente praquele objeto pensando: eu quero, eu preciso, tem alguma coisa que eu possa fazer com isso?

– hm… e o que tudo isso tem com a foto e o título do post, elisa?

hm! o título do post – lixo-limpo – é um nome que eu inventei para uma ideia maravilhosa que acontece por aqui. no primeiro andar das escadas dos prédios, do lado de dentro, você deixa o que não usa mais, mas está em perfeito estado. ó, eu mudei para um apartamento novo e já ‘adquiri’ um escorredor de macarrão, a minha tv 29 polegadas, dois banquinhos e.. e.. E! o livro mais legal do mundo que poderia ter caído nas minhas mãos: Selected Writings of Gertrude Stein, esse aí da foto aí de cima.

Gertrude Stein é uma escritora americana mucho loca, que nasceu em 1874 e passou a maior parte da vida na França. Amiga de Picasso, Matisse, ela vivia rodeada pelos intelectuais e artistas, mas sua literatura sempre foi considerada um pouco maluca. E é. Porque ela repete várias vezes a mesma coisa e repete dizendo que já repetiu e vai repetir. Mas ela é muuuuito interessante, porque ela é muito diferente dos padrões. Pois bem. Achei o livro que eu queria mas nem lembrava o tanto que eu queria quando entrava nas livrarias e via mais de setecentos zilhões de opções. Ganhei esse lindo, que fica abertinho sem eu ter que segurar. Supermoderno ; )

Acho essa ideia de ter um lugar de reciclagem entre os próprios vizinhos uma ideia totalmente simples e adoravelmente eficiente. Acho que ela tem que ser globalizada.

Eu vou indo que já falei demais e ainda tenho MUITO sobre esse assunto (lix0) pra falar e eu tenho que me organizar. Beijos : ** té já.

7 Responses to “lixo-limpo”

  1. Ana Paula Says:

    Realmente: taí uma coisa boa pra ser globalizada! =)

  2. kinhag Says:

    To super precisando de uma idéia dessa pra mobiliar meu apartamento novo.

  3. juliana Says:

    achando lindo o seu lixo luxo.

  4. Carol Says:

    adoro lixo novo!

    Ei Elisa, tudo bem? vc não me conhece, mas eu já te conheço demais. Trabalhei um curto período lá na Lápis e ouvi muito sobre você, pelo que percebi voce é uma paixão rara pro povo da Lápis.

    Gosto muito de tudo que você escolhe pra compartilhar aqui.

    beijo, Carol.

    • Elisa Says:

      ei carol : ))

      eu até já conheço você sim. eu digo. não pessoalmente. mas já vi seu flickr e adoro!
      bora tomar umas cervejas aí em bh quando eu voltar.

      beijão, bom te ver por aqui!

  5. larissamargulies Says:

    ah, que legal!
    eu vivo de olho nos lixos também!
    mas por aqui, a coisa não é tão requintada :))
    mas sabe de uma coisa? tenho um bar na minha sala que é A atração! não tem uma visita nova que não repare e elogie! e adivinha?? fiz a partir de uma caixa de madeira (dessas, tipo de feira) que achei no lixo!

    :)

    btw, a foto tá linda!
    :*

  6. Gustavo Says:

    Eu moro em Toronto ha 7 anos e fico impressionado com a dificuldade que encontro quando tento doar as coisas pras pessoas. Eu tenho uma TV de 20 polegadas, que nao preciso mais, mas ninguem quer. Por isso todo mundo joga as coisas no lixo. Tentei doar livros em perfeito estado pra biblioteca publica e eles nao aceitam. Tem que levar no dia tal, entre 1 e 2 da tarde… Frustrante e mostra que a sociaedade norte americana nao sabe o que eh passar aperto…


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