nossa senhora da flor roxa

rosai por nós

assim na vida como no chão

a primavera de cada ano

nos dai hoje

encantai nosso jardim

assim como encantamos

o do nosso vizinho

e não nos deixei cair em tentação

de esquecer tuas flores.

Alice Ruiz


pra andar na carteira ; )


um bom beijo pra vocês na primavera.


Meu coração desmanchou derreteu escorreu mundo abaixo quando vi as fotos que o fotógrafo Timothy Archibald fez do seu filho, um garotinho diagnosticado com Transtorno do Espectro Austista. Tenho o meu irmão excepcional, sei do privilégio de aprender a ver o mundo com eles.

“Eli encontrou um tubo no meu escritório. Ele inseriu o braço no tubo e usava mancando pela casa. Então, ele sugeriu fazer algumas imagens com o tubo, uma muleta. Parecia que aquele objeto, para ele, poderia ser muitas coisas. Ele cria sentidos.”

Durante 3 anos, o pai fotografou o filho e, do projeto, nasceu o livro Echolilia. A luz natural das fotos, a beleza de cada cena. Estarei eternamente inspirada.

Muito obrigada, Ana, por compartilhar o post do albertorenault.blogspot.com e me dar a oportunidade de ver isto.

mama, yo soy wanderlust
nasci sem sossego
tenho pouco tempo
sou mais pra mais em menos

mira los europeos
necessito ver o mundo todo
vendo o mundo todo
eu vejo deus




pessoal do greader tem que visitar a gente aqui pra ver o play.


é simples. a gente consome mais do que precisa, mais do que o planeta suporta, mais do que a barriga aguenta. e sobra. e quando sobra, a maioria das pessoas joga no lixo, comida em perfeito estado. os freegans são um grupo de ativistas  que vivem nos ‘buracos’ do sistema. eles evitam ao máximo entrar neste ciclo de desperdício e abuso da natureza, que envolve tortura com animais, excesso de químicos nas plantações e até gente trabalhando como escravo.

obviamente a gente não quer pensar nisso. muito menos quando a comida chega quentinha e cheirosa na mesa. mas tem gente que pensa e não tem como não achar bonito, pelo simples fato de que a gente só pode consumir tanto, porque tem gente vivendo em absoluta pobreza, porque se todos fossem ricos e consumissem como a maioria das pessoas de poder aquisitivo consomem, não teríamos mais recursos naturais nesse planeta. ou seja: depende de mim. e de você.

o lixo, só de alimento – dos americanos, dava pra alimentar um país. são 48.2 bilhões de dólares por ano. toda primeira e terceira segunda-feira do mês, os freegans vão para o que eles chamam de dumpster diving. tradução livre: mergulhando na caçamba. ontem eu fui ver como era. e voltei, literalmente, boquiaberta.

entre a 38ª e a 39ª ruas. Na 3ª avenida. 22 horas.

e hoje, é dia de fazer um grande jantar com tudo o que eles acharam. infelizmente não poderei ir, e registrar, mas tenho certeza da fartura.

e ó, num tem freegan só nos estados unidos, não. uma das organizadoras estava me contando que já tem um grupo em são paulo.

pra terminar. no meio de tudo isso, achei um tripé para minha máquina. em perfeito estado. na caixa. não sei o que fez o dono o jogar fora. mas, nesse caso, eu agradeço demais ; )

mais sobre os freegans.

hmm.. achei lindo.

eu lembro deu pequena ouvindo histórias de gente que montava uma casa inteira só com as coisas que achava no lixo nos estados unidos. ficava indignada como alguém poderia jogar uma geladeira fora, uma televisão funcionando, um sofá praticamente novo.. amava imaginar, passava horas pensando como eu iria carregar as coisas pra casa, inventando o que teria achado..

meu pai criou os três filhos parando o carro em tudoqueéesquina pra gente ajudar a achar pedaço de madeira, som velho que ele juntava os pedaços de um com de outros e, como mágica, domingo de tarde, tava lá, o som tocando. claro que eu aprendi com ele e quem anda do meu lado sabe: vitrine que meus olhos prestam atenção mesmo são as latas de lixo, as beiradas de árvore. já achei tanta coisa, já achei tanta coisa que eu precisava, que sem brincadeira, é de olhar pro universo e abrir um sorriso.

nova york então é um paraíso. já fiz até um gif brincando com as coisas que achava nas ruas aqui. outro dia, fui dormir pensando: poxa, preciso arrumar um carrinho pra amarrar na bicicleta e conseguir carregar as coisas maiores. eu JU-RO. não deu uma semana e eu achei o danado do carrinho.

olha, eu te falo: é mais gostoso do que comprar. porque as coisas que aparecem são coisas que a gente não imaginava. então a surpresa tem um sabor. não é você que escolhe, você é que foi escolhido <3. e você fica ali, de frente praquele objeto pensando: eu quero, eu preciso, tem alguma coisa que eu possa fazer com isso?

– hm… e o que tudo isso tem com a foto e o título do post, elisa?

hm! o título do post – lixo-limpo – é um nome que eu inventei para uma ideia maravilhosa que acontece por aqui. no primeiro andar das escadas dos prédios, do lado de dentro, você deixa o que não usa mais, mas está em perfeito estado. ó, eu mudei para um apartamento novo e já ‘adquiri’ um escorredor de macarrão, a minha tv 29 polegadas, dois banquinhos e.. e.. E! o livro mais legal do mundo que poderia ter caído nas minhas mãos: Selected Writings of Gertrude Stein, esse aí da foto aí de cima.

Gertrude Stein é uma escritora americana mucho loca, que nasceu em 1874 e passou a maior parte da vida na França. Amiga de Picasso, Matisse, ela vivia rodeada pelos intelectuais e artistas, mas sua literatura sempre foi considerada um pouco maluca. E é. Porque ela repete várias vezes a mesma coisa e repete dizendo que já repetiu e vai repetir. Mas ela é muuuuito interessante, porque ela é muito diferente dos padrões. Pois bem. Achei o livro que eu queria mas nem lembrava o tanto que eu queria quando entrava nas livrarias e via mais de setecentos zilhões de opções. Ganhei esse lindo, que fica abertinho sem eu ter que segurar. Supermoderno ; )

Acho essa ideia de ter um lugar de reciclagem entre os próprios vizinhos uma ideia totalmente simples e adoravelmente eficiente. Acho que ela tem que ser globalizada.

Eu vou indo que já falei demais e ainda tenho MUITO sobre esse assunto (lix0) pra falar e eu tenho que me organizar. Beijos : ** té já.

né?