A day like any other

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Rivane Neuenschwander é brasileira, de belo horizonte \o/ e está com uma das mais lindas exposições que eu já tive a oportunidade de ver. São 3 andares no New Museum com videos, fotografias, colagens e instalações. I wish your wish é essa parade aí -a foto é do site do New Museum- repleta de fitinhas do senhor do bonfim. Nas fitas estão escritos desejos “I wish wise and humanitarian people were chosen as leaders of nations” “I wish my desire” “I wish for a new era for America” “I wish I could change something”, e muuuitos outros. Você escolhe um, pega a fitinha para você e, no lugar dela, deixa escrito o seu desejo. Eu escolhi “I wish I was a rockstar”. Deixei “I wish a free Palestine”.



O mais legal? Dá pra participar online.




Outra obra da exposição chama-se Photographs from first love. Um especialista em retratos falados ouve os detalhes e desenha o rosto do seu primeiro amor.

No flickr, dá pra ver a galeria dos desenhos que estão fazendo parte da exposição. Ela é atualizada diariamente.
Aqui,
você pode brincar de descrever o seu primeiro amor.



Tem também um video chamado The Tenant, que é TAO lindo. O video foi feito em parceria com o Cao Guimaraes, que também é mineiro \o/. Aliás, os dois juntos…

Um frame, foi o máximo que consegui achar na internet.
Essa bolha passeia por um apartamento vazio. Olha, ai ai, viu.



Sabe, voltei da exposição mais leve, como se tivesse ficado horas em outro planeta. Foi até estranho sair do museu, ver a rua, os milhões de carros e a sirene que, como nos filmes de hollywood, juro, sempre tem o som de uma delas ao fundo.



Aí, fiquei lembrando de uma das salas do Metropolitan, onde está exposto o famoso tubarão do Damien Hirst. Olheles aqui (o tubarão e o inglês, autor da obra). Não ponho a foto porque me dá vergonha alheia.

Essa bobagem, desculpa, mas eu não consigo ver nada em um tubarão “mumificado” dentro de um aquário, é uma das obras mais valiosas da arte contemporânea.

Me explica: ninguém se liga que pra fazer algo tão genial ele matou, no mínimo, 3 tubarões. O primeiro, ele vendeu por 18 milhões de dólares para uma coleção particular, o segundo, porque o primeiro dissolveu no formol, e o terceiro, foi o coitado que eu vi no MET. E como o MET, o MET! expõe um bicho matado como obra de arte? E não é só o tubarão. Tem também a mesma obra com uma vaquinha e uma ovelha. E quando ele foi expor na India, é óbvio, teve que levar outras obras. Umas pinturas. Que não é ele que pinta, ele só tem a ideia. WTF. Eu também preciso dizer que o nome da obra do tubarão, porque arte contemporânea, muito prazer, é preciso ter um título para amarrar a ideia, é The Physical Impossibility of Death in the Mind of Someone Living. O nome acho ótimo. Claro. Damien Hirst foi descoberto pelo Charles Saatchi, dono de uma das maiores redes de agência de publicidade do mundo. Daí muito se explica. Saatchi é um megamilionário. Abriu uma galeria de arte para novos talentos. Ele inventou esses artistas contemporâneos também megamilionários todos. Enfim.

Na arte dos nossos dias, tem gente como a Rivane e o Cao, e gente como Damien Hirst e seus outros. É como no mundo de hoje, e a arte, como sempre, está fazendo só a sua parte de representar a sociedade de cada tempo.

Hoje foi um dia como outro qualquer, como sugere o nome da exposição da Rivane. Voltei pra casa com a certeza que volto sempre: simplicidade é vida. quanto mais caro, mais besta.

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8 Responses to “A day like any other”

  1. marcelaboechat Says:

    Concordo concordo e concordo!
    Simplicidade.

    E tenho inveja boa também, de querer ver e participar

  2. Ju Sampaio Says:

    Post lindo, perfeito!
    Adoro os trabalhos da Rivane.

  3. juliana Says:

    ah, mas eu do lado de cá, achei essas exposições uma delícia! ‘dorei à distância. rs.
    no fim do texto eu até sorri de tanto que eu concordo com vc. :)

  4. Lisa Says:

    Oi Elisa, eu sou a Lisa!

    Gostei muito de tudo que você disse sobre arte contemporânea, temos gostos parecidos (exceto pelo tubarão, eu não tenho muita dó dele e nem da vaca)…

    … mas enfim, espero que isso não afete a sua empatia por mim! Rs rs rs…

    Queria ser sua amiga!
    Lindo blog!

    Abraço!
    :)

  5. Zazá Says:

    Assino em baixo: siiimplicidadeee!!!!!!Nossa sociedade valoriza o TER em detrimento do SER, daí tanta “besteira” como disse.Beijão,

    Zazá


  6. Com todo o respeito, vim fazer uma crítica, apesar de adorar o seu blog.

    Se jogarmos o mesmo olhar duro e incrédulo que vc jogou sobre o Hirst no trabalho da Rivane Neuenschwander, ele fica tão pequeno e desqualificado quanto.

    Vamos fazer uma experiência?

    *crítico chato mode on*

    Poxa, expor fitinhas de senhor do Bonfim e vc deixa seus desejos? Fora ser LITERALMENTE o que acontece na Igreja real, essa coisa de deixar um desejo e de participar online me cheira a uma daquelas ações online de fim-de-ano de banco. “entre no site do Santander e deixe seus votos de ano-novo”.

    E o trabalho do retrato do primeiro amor? Ao invés da artista fazer ela mesma o retrato, ela contrata um pobre coitado que é especialista em retrato falado, ganha lá o salário dele de funcionário público enquanto ela ganha milhões sem fazer nada, só tendo uma idéia…

    *crítico chato mode off*

    Viu como é fácil?

    Arte contemporânea é um negócio muito frágil, porque atua sempre nas fronteiras, seja de percepção, de sentido, de mercado, etc. Se vc jogar um olhar impiedoso, destrói praticamente qualquer coisa.

    Mais do que em qualquer outro momento da história, a arte contemporânea depende completamente da sua disposição de forjar um espaço de reinvenção e discussão com a obra e o artista. Se vc não está disponível para isso, a obra perde o sentido e se desfaz.

    Seu comentário revela mais sobre você, sobre suas preocupações e seus limites (imagino que direitos dos animais seja algo que te sensibiliza, e ver a vida discutida dessa forma te deixe desconfortável) do que sobre o trabalho do Damien Hirst, não acha?

    Enfim, só achei interessante levantar essa discussão porque acho seu blog fantástico, seu trabalho ótimo, mas sua opinião sobre Damien Hirst pequena e pouco refletida. Não estava combinando :)

    Daniel

    • Elisa Says:

      Daniel, por enquanto só consigo dizer que achei massa. Vou pensar sobre seu ponto de vista sobre a obra da Rivanne mas, já adianto, ninguém me convence que matar tubarão pra fazer obra de arte é legal. No resto tudo, tô pensando e avaliando. Um beijo, volta aí, adorei.


      • Ah, eu preciso dizer que eu adoro a Rivanne!

        O “crítico chato” era só um jeito de mostrar o raciocínio, não reflete minha opinião não.

        O que eu queria era mostrar que qualquer que arte contemporânea é uma coisa muito delicada, e que dá pra desqualificar até artista que a gente gosta, se usarmos a mesma má vontade que usamos com artistas que não gostamos.

        E sobre matar tubarão para fazer obra de arte… animais são mortos todos os dias para fazer pente (chifres de animais), perfume (baleias), casacos, sandálias, etc etc.

        Porque é tão grotesco matar um animal para fazer uma obra de arte?

        Sei lá, depois de comida e proteção, arte me parece a única coisa pela qual valeria, talvez, matar um animal.

        Certamente é um motivo melhor do que um pente, não acha?

        Enfim, sou contra, a priori, matar animais por arte também. A obra do Hirst inclusive sempre me deixou num lugar de incerteza, nunca sei se detesto ou gosto.

        E muito provavelmente, essa noção de sacrifício, da morte de um animal absolutamente mais poderoso que você e subitamente domesticado para toda a eternidade, é parte do trabalho também. Portanto, o desconforto com a “morte inútil” não deixa de ser parte do nosso diálogo com a obra.

        Enfim, dá pano pra manga. O importante é seguir pensando e tantando entender :)


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