dois mil e dez

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ano passado, nesses dias, tinha uma guerra em israel. eu estava lá e eu não podia acreditar que era daquele jeito que o pessoal estava conversando. os dias foram passando e eles não se entendiam e cada vez mais se machucavam e a televisão que era cheia de graça virou puro sangue. e as pessoas que pareciam pessoas se transformaram todas em soldados. e eu ia deixando o tempo passar na esperança de que eles caissem na real e parassem de se agredir e chegassem num acordo, mas cada um queria vingar a morte de um dos seus e a situação, que já me parecia insuportável, se tornou ainda pior. peguei um avião e vim-me embora pro brasil. cheguei aqui o ceu estava azul. a guerra ficou longe, eu me distraia, ia tirando as cenas da cabeça e lá pelos idos do meio do ano eu já não sofria mais com o pessoal se matando lá, tão longe de mim. eu escolhi a ignorância. muitas vezes, eu acabo escolhendo a ignorância. porque nao sei como lidar, porque eu nao tenho o que fazer, porque nao cabe a mim, nao vao me faltar porques. mas mais sério do que uma guerra estourada lá do outro lado do atlântico, é uma pilha de louças que eu tenho pra lavar que eu simplesmente nao posso ignorar. essa sim, aqui, ao meu lado, pode acabar com a minha vida se eu não a encarar. é que são as coisas realmente próximas que existem. o mundo é enorme, mas a vida é pequena. nao so curta, como dizem por aí, mas pequena. pode-se ter um milhao de conhecidos, mas convive-se, mesmo, com no máximo dez amigos. eles vão variar com as estações, mas não são muitas as pessoas que a gente deixa entrar e que realmente fazem parte da nossa vida. é delicado. tão linda essa palavra. delicado. é por isso que em dois mil e dez eu quero louças auto-limpantes, paz e amor. quero também as pessoas que eu gosto perto de mim. mesmo que seja assim, pela internet, onde elas se fazem tão presentes.

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11 Responses to “dois mil e dez”

  1. jediroma Says:

    caraca, adorei teu post. nem te conheço, mas vc falou verdades.

  2. Lili Says:

    Olá

    Venho sempre aqui…
    Hoje não poderia vir sem dizer

    BOM ANO 2010.

    Beijos de Portugal

    Lili

    • Elisa Says:

      tenho toda uma família aí em Portugal, Lili.
      qualquer dia desses a gente se encontra.
      beijos,

  3. steffania Says:

    ,*

  4. Manuel Says:

    Olha o Ruy Castro, Elisa.

    “A vida é perto

    RIO DE JANEIRO – O conceito é de Millôr Fernandes (quem mais?), e meio que se explica por si mesmo: a vida é perto. Foi dito por ele para nossa querida amiga, a cantora Olivia Byington, a respeito de alguém que, sendo carioca e morando no Rio, fazia questão de ter casas e apartamentos em várias cidades do planeta. “A vida é perto, Olivia”, disse Millôr. Sem elucubrações outras. Ela entendeu, contou para todo mundo e todo mundo entendeu.
    Foi também de Millôr que roubei o conceito de que o ideal é morar, no máximo, até o 4º andar -para conservar a perspectiva humana. Por isso, há anos, ao comprar um apartamento no Rio, fiz questão de que, ao chegar à janela, eu estivesse ao alcance da voz de quem passava lá embaixo, na calçada. De que pudesse ler a tabuleta na carrocinha com o preço do Chica-bon e, idealmente, distinguir a cor dos olhos das moças a caminho da praia -único item que não foi atendido, porque elas passam de óculos escuros. Enfim, a vida é perto.
    Na semana passada, uma autoridade sanitária paulistana, preocupada com as possibilidades de contágio da gripe suína, disse que a situação é grave porque, em São Paulo, as pessoas passam o dia em interiores: no ônibus, no metrô, no escritório, na fábrica, no restaurante, em casa ou na casa dos outros. Impossível o espirro individual. Dali inferi que, em algumas cidades, a vida é dentro. E que, nas demais, o Rio, por exemplo, a vida é fora.
    Pode-se estender o conceito a muitas categorias, como a de que a vida é hoje, ontem ou amanhã, de que é agora ou nunca, ou de que é um amistoso ou a valer três pontos. Tudo vale. Acacianismos a parte (tipo “Viver é muito perigoso”, Guimarães Rosa), talvez levássemos vida melhor se tivéssemos mais tempo para pensar nela.
    Mas não dá, porque a vida, quando acordamos para ela, é depressa.”

  5. madoka Says:

    elisa,
    que lindeza de texto, é de uma delicadeza mesmo vc. adorei conhecer seu blog por esses dias. volto em 2010 com certeza.
    feliz 2010 pra ti e os seus
    daqui do outro lado do mundo
    madoka

  6. dani martins Says:

    “o mundo é grande, a vida é que é pequena…”
    verdades ditas com simplicidade que nos fazem pensar no hoje como a única/última chance pra viver/sorrir.
    adorei as palavras, ótimo 2010.

  7. Elisa Says:

    eeei, gente

    gostoso ter vocês por perto.

    manel, lindo o ruy castro.

    beijos,

  8. fernanda Says:

    Florr, tanto tempo que nao venho aqui no seu blog!!
    que lindo, que orgulho de Elisa, que bom começar meu dia delicada assim..
    te amo
    fefe


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