ano passado, nesses dias, tinha uma guerra em israel. eu estava lá e eu não podia acreditar que era daquele jeito que o pessoal estava conversando. os dias foram passando e eles não se entendiam e cada vez mais se machucavam e a televisão que era cheia de graça virou puro sangue. e as pessoas que pareciam pessoas se transformaram todas em soldados. e eu ia deixando o tempo passar na esperança de que eles caissem na real e parassem de se agredir e chegassem num acordo, mas cada um queria vingar a morte de um dos seus e a situação, que já me parecia insuportável, se tornou ainda pior. peguei um avião e vim-me embora pro brasil. cheguei aqui o ceu estava azul. a guerra ficou longe, eu me distraia, ia tirando as cenas da cabeça e lá pelos idos do meio do ano eu já não sofria mais com o pessoal se matando lá, tão longe de mim. eu escolhi a ignorância. muitas vezes, eu acabo escolhendo a ignorância. porque nao sei como lidar, porque eu nao tenho o que fazer, porque nao cabe a mim, nao vao me faltar porques. mas mais sério do que uma guerra estourada lá do outro lado do atlântico, é uma pilha de louças que eu tenho pra lavar que eu simplesmente nao posso ignorar. essa sim, aqui, ao meu lado, pode acabar com a minha vida se eu não a encarar. é que são as coisas realmente próximas que existem. o mundo é enorme, mas a vida é pequena. nao so curta, como dizem por aí, mas pequena. pode-se ter um milhao de conhecidos, mas convive-se, mesmo, com no máximo dez amigos. eles vão variar com as estações, mas não são muitas as pessoas que a gente deixa entrar e que realmente fazem parte da nossa vida. é delicado. tão linda essa palavra. delicado. é por isso que em dois mil e dez eu quero louças auto-limpantes, paz e amor. quero também as pessoas que eu gosto perto de mim. mesmo que seja assim, pela internet, onde elas se fazem tão presentes.

Esses dias tava desenhando uns monstros. Exercitando a imaginação. É que me bateu uma saudade daqueles tempos de infância que o máximo da maldade era um monstro de oito braços devorador de cabeças. Mas aí a gente cresce e pára de ter medo de monstro e passa a ter medo de gente. Muito mais aterrorizante.

Pois que vem aí 2010 com previsões de muitos monstros para adultos. Hmmm. Esfrego as mãos. Where the Wild Things are, que passou 2009 rodando na internet, Alice in Wonderland vem aí quente. Pode vir que eu estou fervendo. Lady Gaga calling her fans little monster, sendo ela the fame monster. Muitos monstros. Ah, se a vida fosse combater monstros. Ia usar minha power transformation e virar um deles. Bu!

As ilustrações são do The Daily Monster. Das minhas, vos poupo.

final de ano tem um cheiro, final de ano tem um gosto, final de ano tem um jeito, uma luz, um céu e um som. aqui, um som sempre de roberto carlos.

Fotos tiradas com o N95.
Beth, sou sua fã.
http://www.flickr.com/photos/beth/sets/72157622732383434/


http://www.lisahanawalt.com/

que sono, preguiça, dengo, pés

>miss_murder

nas ruas de londres