13 de novembro

Fui ao psicanalista e ele me fez deitar num divã, sem o paletó, a gravata e os sapatos.

– Está se sentindo confortável?

– Muito. E o senhor?

– Desaperte o cinto.

– Quer dizer que já subimos?

– Limite-se a responder. Feche os olhos, procure concentrar-se.

Fazia um calor dos diabos, e de repente, me veio uma vontade louca de urinar.

– Já pensou alguma vez em matar seu pai?

– Muitas. Mas, se o sr. me permite, eu gostaria de urinar.

– E sua mãe, já pensou em possuí-la alguma vez?

– Isso nunca; sempre tive namorada firme. Mas eu gostaria de ir urinar.

– Tem irmãos ou irmãs?

– Que eu saiba, não. Assim de momento é meio difícil…

– Gatos? Cachorros?

– Se o sr. não me deixar ir urinar, não respondo, nem respondo pelas conseqüências.

E depois eu voltei do banheiro:

– Quantos dedos o sr. tem nas mãos? Não, não pode abrir os olhos.

– Dez, até chegar aqui pelo menos.

– Responda depressa: se ponho vinte e duas melancias nas suas mãos e depois tiro cinco e acrescento três, com quantos dedos o senhor fica?

– Vinte. Contando com os dos pés, naturalmente.

– Em que ano estamos?

– Mil novecentos e sessenta e três.

– Século?

– Vinte.

– Antes de Cristo ou depois de Cristo?

– Que Cristo?

– Não faça perguntas, já disse. O mar é vermelho ou amarelo?

– Depende. No mapa lá de casa, tanto o mar Vermelho quanto o Amarelo são azuis. Da minha janela às vezes ele é cor de abóbora.

– Qual o oceano que dá pra sua janela?

– O Atlântico, isto é pacífico.

– O Atlântico ou o Pacífico?

– Assim o sr. me confunde. Nem eu vim aqui para me submeter a prova de geografia.

O homem foi até a janela e cerrou calmamente as cortinas. – Agora vai dizer em voz alta, e sem pensar, tudo que lhe vier à cabeça. Relaxe-se o mais que possível e nada de escrúpulo. – Escrúpulo. Cabeça. O oceano é azul. Que calor está fazendo. A morte de Danton. As metamorfoses de Ovídio. O senhor é uma besta. Com quantos paus se faz uma canoa? Vinte e um, vinte e dois, vinte e três, vinte e quatro. As laranjas da Califórnia são deliciosas. Umbigo. Rapadura. Otorrinolaringologista. É a tua, mulher nua, vou prá lua, jumento, pára-vento, dez por cento, Catão, catatau, catapulta que o pariu, catástrofe, caralho, os medos, os vegas, as vegaminas, as sulfas e as para-sulfas, dimetilaminatetrassulfonatosódico, porra de merda, argentino, argentários, argentículo, testículo, laparotomia, Bóris Karloff, Irmãos Karamazov, Irmãos Marx, Marx, Engels, Lenin, Lenita, onomatopéia, onomatopaico, onanista, ovos de páscoa, jerimum, malacacheta, salsaparrilha, Rzhwpstkj, Celeste Império, semicúpio, Salazar, sai azar, vinte e seis da manhã, Dadá, Dedé, Dodô, Dudu, holofote, oliveira, olá Olavo, Alá, ali, alô sua besta já não basta?…

– Basta. O sábio agora me olhava atentamente, o lápis suspenso no ar, o bloco de papel com rascunhos sobre o joelho. Sua máscara traia uma grande inquietação, como se temesse alguma coisa ou já começasse a pôr em dúvida a minah sanidade. Até que, simulando uma calma absoluta, arriscou o ar mais natural deste mundo:

– O senhor já foi à Bulgária?

Do Púcaro Búlgaro. Campos (amado) de Carvalho.

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é um pouco cara de pau colocar aqui fotos que eu mesma fiz. mas como essas fotos para a Duotonee não foram só trabalho meu – tem os vestidos da Morgana e do Virgílio, a Ana, modelo, os meninos que ficaram ajudando e segurando tudo e sugerindo locações que eu acho que não é tão absurdo assim.

tem mais fotos aqui.

e mais duotonee aqui.

Vamos?

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Obrigada, Ale. Adorei o link.
http://www.fubiz.net/2009/01/30/maryse-khoriaty/

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eyes

Daniela Arrais arrasa.

Mar adentro, mar adentro.
Y en la ingravidez del fondo
Donde se cumplen los sueños
Se juntan dos voluntades
Para cumplir un deseo.

Un beso enciende la vida
Con un relámpago y un trueno
Y en una metamorfosis
Mi cuerpo no es ya mi cuerpo,
Es como penetrar al centro del universo.

El abrazo más pueril
Y el más puro de los besos
Hasta vernos reducidos
En un único deseo.

Tu mirada y mi mirada
Como un eco repitiendo, sin palabras
“más adentro”, “más adentro”
Hasta el más allá del todo
Por la sangre y por los huesos.

Pero me despierto siempre
Y siempre quiero estar muerto,
Para seguir con mi boca
Enredada en tus cabellos.

Ramón Sampedro

Presente do meu amigo Chubes.

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http://www.flickr.com/photos/torpore/2414466092/

Retificação.

insensibilidade da minha parte não colocá-lo em suas palavras originais:

…Todo lo que usted quiera, sí señor, pero son las palabras las que cantan, las que suben y bajan… Me prosterno ante ellas… Las amo, las adhiero, las persigo, las muerdo, las derrito… Amo tanto las palabras… Las inesperadas… Las que glotonamente se esperan, se acechan, hasta que de pronto caen… Vocablos amados… Brillan como perlas de colores, saltan como platinados peces, son espuma, hilo, metal, rocío… Persigo algunas palabras… Son tan hermosas que las quiero poner todas en mi poema… Las agarro al vuelo, cuando van zumbando, y las atrapo, las limpio, las pelo, me preparo frente al plato, las siento cristalinas, vibrantes ebúrneas, vegetales, aceitosas, como frutas, como algas, como ágatas, como aceitunas… Y entonces las revuelvo, las agito, me las bebo, me las zampo, las trituro, las emperejilo, las liberto… Las dejo como estalactitas en mi poema, como pedacitos de madera bruñida, como carbón, como restos de naufragio, regalos de la ola… Todo está en la palabra… Una idea entera se cambia porque una palabra se trasladó de sitio, o porque otra se sentó como una reinita adentro de una frase que no la esperaba y que le obedeció. Tienen sombra, transparencia, peso, plumas, pelos, tienen de todo lo que se les fue agregando de tanto rodar por el río, de tanto transmigrar de patria, de tanto ser raíces… Son antiquísimas y recientísimas… Viven en el féretro escondido y en la flor apenas comenzada… Que buen idioma el mío, que buena lengua heredamos de los conquistadores torvos… Éstos andaban a zancadas por las tremendas cordilleras, por las Américas encrespadas, buscando patatas, butifarras, frijolitos, tabaco negro, oro, maíz, huevos fritos, con aquel apetito voraz que nunca más se ha visto en el mundo… Todo se lo tragaban, con religiones, pirámides, tribus, idolatrías iguales a las que ellos traían en sus grandes bolsas… Por donde pasaban quedaba arrasada la tierra… Pero a los bárbaros se les caían de la tierra de las barbas, de las herraduras, como piedrecitas, las palabras luminosas que se quedaron aquí resplandecientes… el idioma. Salimos perdiendo… Salimos ganando… Se llevaron el oro y nos dejaron el oro… Se lo llevaron todo y nos dejaron todo… Nos dejaron las palabras.